Criaram um monstro: o troll

26 10 2010

O Twitter trouxe suas vantagens, mas também tem seus efeitos colaterais, como toda boa rede social.

Um deles é a galera que se acha a mais engraçada. Os donos da verdade, quando o assunto é fazer graça.

E o repertório deles é vasto. Se o assunto sai nos G1s da vida, logo tem uma piadinha tirada da manga.

Bom, tem muita gente que acha tudo isso engraçado e são os que alimentam o ego desse povo. Tenho que reconhecer esse mérito. Mas é aí que mora o perigo.

Quando um desses caras (ou moças) ganham certa popularidade na “twittosfera”, eles passam a não aceitar mais as críticas de quem não gosta de suas piadas ou gracinhas.

Talvez desse sentimento tenha sido criado o adjetivo “troll”.

Os trolls são taxados como aqueles que incomodam e pertubam a vida alheia dos que se acham a última bolacha do pacote no mundo virtual.

Ou seja, é a última moda em apelidos dados às pessoas que falam mal sobre algo.

Cercear o direito de expressão dos que são denominados trolls é um tanto quanto antiquado, não?

Quando é feito algo, é impossível agradar todo mundo. Então qual o problema em ver alguém criticar?

Muita gente fala em “apertar o botão de foda-se”, mas fica toda melindrada quando lê, ouve ou vê algo que o critique.

O que era (pseudo) engraçado no início, acaba ficando chato, com esse pessoal reclamando da “trollagem” e distribuindo “blocks” a dar com o pau.

O conceito de humor é simplesmente fazer graça. Não é? Ou mudou para combater os críticos e “evangelizar” toda a sociedade com piadinhas sem graça retirada dos piores shows de stand-up comedy desse Brasil de meu Deus?





Los Hermanos em Salvador – 17.out.2010

21 10 2010

E dizer que, no final, não valeu a pena?

Eu seria mentiroso se eu afirmasse isso.

Para uns, fiz uma loucura imensa. Para outros, o apoio e o desejo de, até mesmo, estar no meu lugar.

Pois é, amigos. Fui passar um final de semana (ou menos que isso) em Salvador, para assistir o show dos Los Hermanos.

Quem analisa superficialmente a situação, me pergunta porque eu fui pra tão longe e fiquei tão pouco tempo.

Quem está a par do momento da banda e tudo o que envolveu essa minha viagem, perguntou se não poderia ir junto.

Posso dizer que quem não teve essa oportunidade, perdeu.

Banda, local e pessoas sensacionais. Estes são os ingredientes básicos para que qualquer show seja perfeito. E quando tudo isso se misturou, deu liga.

Pessoas de diversos cantos do Brasil estavam lá na Concha Acústica. Algumas vindas até de Recife e Fortaleza, cidades onde o Los Hermanos tocaram antes de Salvador.

A fila se formou bem cedo, com uma galera ansiosa, à espera de um bom lugar na platéia.

Nós estávamos lá também, tomando sol, jogando conversa fora e ansiosos pelo momento que todos esperavam: a banda, no palco.

A cada música tocada, sorrisos se abriam, intercalados com a cantoria de todos, que tinham as letras na ponta da língua.

Tudo bem que teve um empurra-empurra, que convenhamos, faz parte, infelizmente. Nada que estragasse tudo.

Pelo tempo em que não tocavam juntos (antes dessa mini-turnê, eles tocaram no ano passado, abrindo o show do Radiohead), a banda saiu-se muito bem, obrigado.

E mesmo se errassem um acorde aqui, um verso acolá, quem se importaria?

O momento era de celebração. Da banda com os fãs. Dos fãs com os próprios fãs. Da banda com a própria banda, talvez.

Teve gente que ficou para a segunda apresentação, no dia seguinte. Eu não pude ficar.

Mas não dá nada. Toda a experiência desse final de semana maluco foi única.

E ainda tem gente me chamando de louco. Eu concordo, fui louco sim.

Mas se nos privarmos de fazer as coisas, achando que tudo é uma loucura, no final das contas, nós não fazemos nada.

Se eu tô arrependido? Nem um pouco.

Obrigado, Los Hermanos.

Início da fila, com gente de todo canto do país.

Platéia na Concha Acústica do TCA

Após o show. Sentimento de missão cumprida e "quero mais".

* Fotos: Natália Jorge e Patrocinador/Show

* Vídeo: Natália Jorge





2º turno em 2010: o referendo de 2005 e suas referências

4 10 2010

Para muitos uma surpresa. Inclusive para alguns institutos de pesquisa. Para outros, nem tanto.

Dilma e Serra vão para o 2º turno.

E quais foram os motivos? Pode ser pelo enfraquecimento da campanha de Dilma ou pela votação expressiva de Marina Silva, que acabou tirando votos da petista.

Os tucanos que não tem nada ver com essa dinâmica, comemoram essa reviravolta.

É fato que eles virão babando pra cima do PT, agora com igualdade de tempo, nos horários e propagandas eleitorais. E se souberem e quiserem usar, pela internet também.

A campanha de Dilma tem tudo para seguir a mesma toada daquela vista no 1º turno: o presidente Lula todo tempo ao seu lado.

Até que ponto isso pode beneficiar ou prejudicar a candidata da situação?

Posso até estar meio equivocado com a comparação, mas vamos lá.

Lembram do referendo sobre o desarmamento, em 2005?

Antes da campanha começar, o voto pelo ‘sim ao desarmamento’ liderava as pesquisas de intenção de voto, com ampla vantagem.

E o ‘não’ tinha tudo para sofrer uma derrota histórica, pelo o que apontava os indicadores dos institutos. E também pelo apelo popular.

Mas, quando a campanha no rádio e na TV começou, o ‘não’, que não contava com nenhum artista ou celebridade em sua campanha, teve como principal justificativa que o posse de arma garantiria a segurança de cada cidadão. E todo aquele papo que acabou mudando o rumo das coisas.

E o ‘sim’ que contava com inúmeros políticos, artistas, músicos, celebridades e com uma campanha mais endinheirada e trabalhada, via a cada pesquisa sua diferença cair. Até ver o ‘não’ passar e no pleito, ter bem mais votos.

Onde eu quero chegar com esse resumo do referendo de 2005?

O ‘sim’ que era favorito e preferiu mostrar que vários políticos e celebridades estavam ao seu lado, ao invés de “encher” seu discurso vazio, tomou uma virada do ‘não’, que focou exclusivamente em martelar o eleitor/cidadão com os motivos que defendia.

O que o PT deve aprender com essa lição? Mostrar mais a cara da Dilma. Onde você viu cara, leia-se plano de governo. E parar de colocar ela lado a lado com o Lula, o tempo todo.

É importante que o presidente apoie sua candidata, mas fazer com que ela ande um pouco sozinha é fundamental, pois passa mais confiança.

O que o PSDB deve aprender com essa lição? Que a hora é de fortalecer o discurso e tentar mostrar mais segurança ao eleitor. E se puder, explorar a insegurança da adversária, que é escancarada sempre quando ela aparece demais ao lado do Lula.

Será que vocês conseguiram entender? Esse processo eleitoral, confesso, me faz viajar às vezes.

Viva o 2º turno!