Reverberação desnecessária

9 04 2011

Tentei evitar, a todo custo, ler ou assistir notícias relacionadas a chacina da escola de Realengo, Rio de Janeiro. Mas foi impossível. Em casa mesmo, meu pai não se cansava de se “atualizar” sobre. Aliás, muitos não se cansaram por aí.

Dentro do ônibus, nas ruas, no trabalho. O assunto foi um só. Não há como deter a reverberação popular, com suas indignações, medos e dúvidas. Mas a imprensa precisa ir na mesma onda?

O papel dela, claro, é informar, evidenciar e até mesmo discutir tudo o que cerca esse lamentável episódio. Mas o que vejo é que estão forçando a barra.

Todo mundo sabe o que aconteceu, do começo ao fim da tragédia. Se sabemos, ficam as perguntas: é necessário mostrar o rosto dos pais, familiares e amigos das vítimas chorando? Precisava ter mostrado o homicida morto no chão do corredor da escola, todo ensanguentado?

São esses pormenores, mostrados incessantemente na TV, nas capas dos jornais (com manchetes escrotas) que ainda nos fazem discutir qual o verdadeiro papel da imprensa. Noticiar um fato é esfregar na nossa cara o quão trágico é um episódio?

Será que o simples fato de levar o máximo de informações pertinentes sobre os mais diversos assuntos, sem muita polêmica e sensacionalismo barato, não é suficiente para um meio de comunicação vender bastante ou obter grandes indíces de audiência?

Como podemos pensar em construir um país sério se nossa imprensa não é séria?

Lembro vocês que, coincidentemente, o triste massacre de Realengo ocorreu no Dia do Jornalista.

Ironia do destino.

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2 responses

31 10 2011
supralux

Tanto alardearam que até Bono Vox fez uma homenagem… o cantor, não o meu cachorro rsrsrs

11 04 2011
Leandro Lourenço

Escrevi no meu blog sobre futebol mas que tem muito a ver com isso. As pessoas se dizem indignadas, querem ajudar (pelo menos falam né?) mas não são capazes de respeitar um minuto de silêncio num evento, como num jogo de futebol.

Na Inglaterra, onde a educação é muito melhor do que aqui, o “minuto de silêncio” é uma das coisas mais lindas que existe. Alguns podem até não concordar, mas TODOS respeitam aquele momento.

Mas aqui eles preferem jogar mais sangue na cara dos outros, do que ter pequenas atitudes que possam lembrar e homenagear os envolvidos. Uma pena.

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