Japão, suas recentes tragédias e eu

12 03 2011

Lembro de 1995, quando houve um grande terremoto na região de Kobe e Osaka. Até então, aquele era o maior abalo sísmico da história do Japão. Fiquei chocado, pois tínhamos parentes no Japão. Tios da minha mãe e alguns primos dela. Inclusive, um destes tios, que faleceu anos depois no Brasil, morava em Kobe.

De lá para cá, houve diversos casos de grandes terremotos. Nenhum no Japão. Por sorte, pois nesse período meus pais foram morar lá, por duas vezes, para trabalhar. Minha mãe até comentou que o país já previa e esperava por um grande terremoto, que teria seu epicentro próximo ao Monte Fuji e que boa parte do Japão seria atingido.

Esse preparo e essa preocupação não é vista em nenhum lugar do mundo, tanto que países como o Haiti, o Chile e a China, por exemplo, sofreram demais com esse fenômeno.

Há 24 horas, aproximadamente, um terremoto, maior do que aquele de 1995, de magnitude 8.9 na escala Richter, tem seu epicentro no mar, na costa nordeste japonesa. Assim, outras réplicas fortes fizeram boa parte do país tremer. E como consequência, um tsunami devastou a cidade de Sendai e cercanias.

Mortes, pessoas feridas ou desaparecidas. Mesmo com todo preparo, cotidiano de todos aqueles que vivem lá. Talvez a gente nem se espante tanto, porque estamos calejados com estas notícias catastróficas. Mas dessa vez, doeu mais.

Não sei explicar porquê. Inclusive, tenho menos parentes no Japão do que em 1995, porém meus pais tem alguns amigos que ainda moram no arquipélago.

Acredito que seja pela proximidade que o Japão tem na minha vida. Afinal, esse país tá envolvido até o pescoço comigo, né. Muito pela descendência e pela estadia dos meus pais por lá. Pode ser coisa de sangue mesmo, vai saber.

Só sei que há muito tempo não me chocava tanto com um acontecimento como esse. Mesmo sendo tão longe daqui.

Mas esse país sempre se superou. É histórico. Mas precisa de apoio, nem que seja das nossas vibrações positivas.





Dez anos. Quem diria?

2 02 2011

Turma A de 2001, da ETELG - Procurados! Vivos ou mortos.

Me lembro perfeitamente do dia 31 de janeiro de 2001. Não teria nenhum motivo para esquecê-lo, afinal foi uma das datas mais aguardadas naquela época. Seria o primeiro dia de aula lá na ETE, escola a qual prestei um vestibulinho no final do ano anterior e vivi toda aquela apreensão em ter que esperar pela lista de aprovados um mês depois e entrar numa escola pública, porém, com uma qualidade (ou exigência) superior as outras escolas públicas.

Eram 320 vagas e consegui me posicionar na 321ª colocação. Sim, o primeiro da 2ª chamada, costumava brincar. Um alívio saber que estava dentro, mas a ansiedade continuava, porquê mal sabia o que me esperava. E o tal do primeiro dia de aula chegou.

Ouvindo alguns comentários, fiquei sabendo da prática do trote. Cagão que era, bolava mil planos na minha mente pra escapar ileso deles (é, acabou dando certo). Como um peixe fora d’água, sem saber direito o que tava acontecendo, assisti somente uma pegadinha armada por um grupo teatral de alunos da escola, simulando um trote geral em todos aqueles ‘bixos’. Em suma, saí de lá do mesmo jeito que entrei.

Conhecer alguém mesmo só a partir do segundo dia, se eu não estiver enganado. Você vai conversando com um, conversando com outro e a parada funciona meio que um BBB: as “panelas” vão se formando de acordo com a afinidade criada. Lembrando que afinidade não é sinônimo de amizade, que só com o tempo, com as ajudas nas colas das provas e com o companheirismo do dia-a-dia ali foi criada.

Foram três anos ao lado de muita gente boa. Alguns que mantenho contato até hoje, outros que gostaria de reencontrar. Um amigo meu, que estudou comigo lá, sempre falou, após nos formarmos: “poderíamos ter feito muito mais coisas”. Concordo plenamente. Olhando pra trás, percebo que realmente algumas coisinhas poderiam ter sido diferentes. Vai ver faltou a malícia e a experiência que temos hoje, dez anos depois. Porém, não me arrependo do que fiz. Mesmo achando que não fiz tudo, ainda coleciono histórias pra contar daquela época (puta papo de velho, né?).

Mas é assim mesmo, a cada ano que passa, as saudades daquele tempo e daquele lugar aumentam. Principalmente, pelo grande motivo disso tudo: as pessoas que construíram a minha história e a delas também. Estamos ficando mais velhos e com mais responsabilidades. Não era essa pressão toda, lá em 2001. E a gente ainda reclamava.

Enfim, termino esse texto, que mostra um sentimento tão comum daqueles que sentem saudades dos tempos da escola. Só que eu não poderia deixar passar em branco este marco tão importante, pelo menos pra mim.

Dez anos, meus caros. E parece que foi ontem…





Los Hermanos em Salvador – 17.out.2010

21 10 2010

E dizer que, no final, não valeu a pena?

Eu seria mentiroso se eu afirmasse isso.

Para uns, fiz uma loucura imensa. Para outros, o apoio e o desejo de, até mesmo, estar no meu lugar.

Pois é, amigos. Fui passar um final de semana (ou menos que isso) em Salvador, para assistir o show dos Los Hermanos.

Quem analisa superficialmente a situação, me pergunta porque eu fui pra tão longe e fiquei tão pouco tempo.

Quem está a par do momento da banda e tudo o que envolveu essa minha viagem, perguntou se não poderia ir junto.

Posso dizer que quem não teve essa oportunidade, perdeu.

Banda, local e pessoas sensacionais. Estes são os ingredientes básicos para que qualquer show seja perfeito. E quando tudo isso se misturou, deu liga.

Pessoas de diversos cantos do Brasil estavam lá na Concha Acústica. Algumas vindas até de Recife e Fortaleza, cidades onde o Los Hermanos tocaram antes de Salvador.

A fila se formou bem cedo, com uma galera ansiosa, à espera de um bom lugar na platéia.

Nós estávamos lá também, tomando sol, jogando conversa fora e ansiosos pelo momento que todos esperavam: a banda, no palco.

A cada música tocada, sorrisos se abriam, intercalados com a cantoria de todos, que tinham as letras na ponta da língua.

Tudo bem que teve um empurra-empurra, que convenhamos, faz parte, infelizmente. Nada que estragasse tudo.

Pelo tempo em que não tocavam juntos (antes dessa mini-turnê, eles tocaram no ano passado, abrindo o show do Radiohead), a banda saiu-se muito bem, obrigado.

E mesmo se errassem um acorde aqui, um verso acolá, quem se importaria?

O momento era de celebração. Da banda com os fãs. Dos fãs com os próprios fãs. Da banda com a própria banda, talvez.

Teve gente que ficou para a segunda apresentação, no dia seguinte. Eu não pude ficar.

Mas não dá nada. Toda a experiência desse final de semana maluco foi única.

E ainda tem gente me chamando de louco. Eu concordo, fui louco sim.

Mas se nos privarmos de fazer as coisas, achando que tudo é uma loucura, no final das contas, nós não fazemos nada.

Se eu tô arrependido? Nem um pouco.

Obrigado, Los Hermanos.

Início da fila, com gente de todo canto do país.

Platéia na Concha Acústica do TCA

Após o show. Sentimento de missão cumprida e "quero mais".

* Fotos: Natália Jorge e Patrocinador/Show

* Vídeo: Natália Jorge





30 de setembro de 1985 não foi o centro do mundo

30 09 2010

Blogueiro, no colo da vó, em 1985.

Um quarto de século. Preciso explicar o que é um século? Preciso dizer o que corresponde esse período?

O que mudou no mundo desde 30/09/1985? Muita coisa, claro.

Poderia ser egoísta e dizer que mudou só porque eu nasci. Aquele blá-blá-blá egocêntrico.

Andei pensando. O mundo, evidentemente, vive em constante evolução. Social e tecnológica.

Mas neste período, entre 30/09/1985 e 30/09/2010, as mudanças foram mais drásticas, ao meu ver.

Um exemplo disso é esse blog. Não. Não é outro delírio egocêntrico.

Se o uso comercial da Internet não fosse difundido, explorado, descoberto, enfim, se não fosse utilizado, você não leria esse texto.

É foto digital, televisão por assinatura (e depois a cabo e por satélite), DVD, Blu-Ray, imagens em alta definição. Esqueci da telefonia celular, que é uma praga.

Antes de 30/09/1985, quem imaginava que o mundo passaria por todos esses avanços? Quem imaginava que o mundo saíria da Guerra Fria? Quem imaginava que a China poderia virar uma potência econômica?

E hoje, 30/09/2010, quem consegue arriscar ou prever quais avanços ou mudanças teremos?

Será que a velocidade nesse processo, nos próximos 25 anos será maior do que nestes que já se passaram?

Bom, alguns de vocês devem estar pensando “nossa! 30 de setembro é o centro do mundo pro blogueiro.”

Claro que não. Poderia até ser, já que faço aniversário hoje.

Mas é só uma data. Como outra qualquer. Que pode entrar para a história.

Como ela vai entrar para história? Devido a uma catástrofe? Não. Seria até egocêntrico eu pensar assim.

Mas 30/09/2010 é um passo dado na evolução do mundo. E 01/10/2010 será outro. E 02/10/2010 será outro…

Assim tocamos o barco.





A essência do otimismo

1 08 2010

Quando o clima não é favorável, não adianta.

Você, mesmo com todo otimismo, sempre fica com a pulga atrás da orelha.

Pois é de seu conhecimento que para as coisas darem certo, nem tudo vai depender da sua vontade em ver tudo correr bem.

Mas essa não era a sensação que eu tive ontem, quando fui ao Morumbi, assistir a partida entre São Paulo x Ceará, válida pelo Campeonato Brasileiro.

Após a pausa para a Copa do Mundo, o São Paulo simplesmente não jogou bola. Só comparecia aos jogos, a grosso modo.

Fato que deixou o torcedor tricolor ressabiado. E eu também.

A culpa é do técnico? Dos jogadores? Da diretoria?

Bom, no final, arranjarão um culpado, mas não vem ao caso, agora.

Ontem, o dia era de sol. O que te deixa, naturalmente, animado pra fazer qualquer coisa.

O jogo mesmo era só as 18h30, com o sol já posto. Mas o tempo seguiria agradável.

E o clima também. Algo dizia que tudo daria certo. Pelo menos naquele jogo.

O primeiro tempo acabou e ficaria fácil dizer que eu estava enganado com relação ao que eu sentia.

O segundo tempo veio pra mostrar que eu estava certo.

Não foi nenhum espetáculo, mas vi no São Paulo uma confiança que eu não vi em nenhum jogo pós-Copa.

E naquele gol do Ricardo Oliveira, fiquei até emocionado, vendo o time abraçando o atacante que retornou ao Morumbi, em busca de conquistas.

Posso estar enganado. Assim como estava assistindo o primeiro tempo da partida.

Mas acho que as coisas mudaram.

O torcedor, em sua essência, é sempre otimista.

Porque eu iria contrariar tudo isso?

Quinta-feira chegará rapidinho. E estarei no Morumbi com o mesmo sentimento de ontem.

Eu acredito.





2009? Deixa que eu conto! – Velhas Virgens

26 12 2009

Eu sei que a banda tem mais de 23 anos de estrada, mas a minha história com as Velhas Virgens é bem recente.

Este foi o ano em que me formei na faculdade, portanto, no começo, eu e meu grupo queimamos muitos miolos, tentando pensar em um tema interessante e relevante para o nosso TCC.

Pensamos em muitas coisas, todas rejeitadas pelo coordenador geral dos TCCs. Até que uma ideia foi levando a outra e foi proposto por um dos integrantes do grupo – porque não falar sobre as Velhas Virgens?

Num ato de um leve desespero, mas a originalidade do tema, batemos o martelo. O professor-coodenador dos TCCs também.

No primeiro semestre, envolto a parte teórica do TCC e a outros trabalhos paralelos na faculdade, os contatos com a banda (ou com o Banas, empresário da banda) foram feitos por e-mail.

Como pesquisa de campo, precisei baixar as músicas. Algumas já tinha escutado, só que as mais manjadas como ‘Abre Essas Pernas’, ‘Siririca Baby’ ou ‘O Que É Que a Gente Quer?’.

Com as músicas e com uma pesquisa aprofundada, fui me tornando um fã. Mais um de uma grande legião.

Segundo semestre chegou e é hora de botar em prática tudo o que foi pensado teoricamente no primeiro. E o momento de ficarmos frente a frente com a banda chegou.

Com o desenvolvimento do TCC, ‘mantemos um bom relacionamento com as fontes’, chegando ao ponto de bebericar “um pouco” (e mete aspas nesse um pouco) no camarim dos shows, realizados aqui em São Paulo.

Conhecer e começar a gostar da banda é normal. Acontece com todo mundo. Mas conhecer banda, musical e pessoalmente é algo único e que não acostuma conhecer com frequência.

E tivemos a sorte de escolher um bom ano para realizarmos este trabalho. Afinal, a banda lançou um novo álbum e Paulão de Carvalho, vocal e um dos ‘fundadores’ das Velhas, quase tornou-se um oitavo CQC.

Além da entrada de novos integrantes, que deram gás novo a maior banda independente do Brasil.

Que fique registrado que este não só um depoimento de um mais recente aficcionado. As Velhas Virgens participaram de uma etapa importante da minha trajetória pessoal, acadêmica e porque não profissional.

Portanto, nada melhor que eu compartilhe um pouco com vocês um dos meus momentos marcantes de 2009.

“Amor não é uma coisa que te tira do chão e te transporta para lugares onde você nunca esteve. O nome disso é avião.” – ‘O Amor é Outra Coisa’ – Velhas Virgens





Um trem parou no Morumbi…

29 11 2009

A história começa lá em 02 de outubro, porta da Fnac, em Pinheiros. Meio dia e alguma coisa. Eu e meu brother Rica, que só me fez companhia, pois não comprou ingressos, debaixo de um puta sol. E sem ter a garantia de conseguir comprar os ingressos, porque em todos os países por onde o AC/DC passa, os ingressos acabam rapidamente. Na Argentina, por exemplo, os ingressos acabaram em três horas.

Foram mais de três horas, mas consegui meu ingresso. Mazer, meu camarada, também. Não pegou fila, justamente porque ele trabalha por lá e calhou que seu horário de almoço combinou com o horário de compra das entradas.

Bom, o jeito foi esperar até 27 de novembro. E nesse meio tempo muita gente me falando “pô, conseguiu comprar o ingresso hein?”. Pois é, muito fã ficou sem.

Bom, o grande dia chegou. Passei na mesma Fnac de Pinheiros pra encontrar com o Mazer e de lá partir pro Morumbi.

Lá, pegamos a lotação ‘Extra Taboão’, que ia pela Eliseu de Almeida, paralela a Francisco Morato. Dentro dela, um calor infernal e uma baita chuva. Com os vidros fechados, pro pessoal não se molhar, aquilo ali virou uma sauna.

Resolvemos descer e andar, pois achamos que seria mais rápido e mais fresco também. Quando pensamos que caminharíamos muito, eis que surge como uma miragem o Shopping Butantã. Passamos lá pra pegar um rango e seguimos na caminhada, rumo ao Morumbi.

E os fãs tomam conta da região. E os ambulantes também. Camisa do AC/DC, R$ 80. É possível encontrar a mesma por R$ 20, na Galeria do Rock. Tem gente que compra, principalmente quem não manja (e quem tem dinheiro também).

Tava um tanto quanto em cima da hora, então tratamos de entrar rápido. Tudo muito bem organizado, sem bagunça nenhuma.

Nos instalamos, sem antes comprarmos os devidos copos de cerveja.

E o show do Nasi, no finalzinho, onde ele mandou ‘Sociedade Alternativa’ do Raul Seixas. E o Morumbi, em coro, cantando.

Como em todo lugar, sempre tem uns babacas. E eles eram de Curitiba. Contando certinho, sete.

Mazer estava com a camisa do SPFC. Afinal, independente do evento, o Morumbi é o local mais apropriado pra vestir o manto tricolor.

E vestir a camisa do São Paulo causa uma certa polêmica ou inveja em quem não torce pro tricampeão mundial.

Vem as primeiras provocações e ficamos naquela de que “ah, não dá bola que os troxas param.” Mas, entorpecidos com naõ sei o que, continuaram. Como ninguém tem saco pra maluco folgado, devolvemos as provocações.

Não adiantou muita coisa, até que um deles, com a camisa do Coritiba, ameaçou vir pra cima. Só ameaçou e não veio, quando o Mazer o convidou para uma ‘conversa amistosa’.

É, (com o perdão da palavra) cuzão é assim mesmo.

Minutos depois, o trem vem chegando. Isso mesmo, o trem gigante, que acompanha a banda nesta turnê do ‘Black Ice’ vem chegando. Aí é Morumbi indo abaixo.

Mesmo com a idade e uma pausa entre uma canção e outra, a banda mostra um vigor que eu não vejo em bandas com pessoas mais novas.

Sem contar que Angus Young promoveu um show particular durante a apresentação e seu solo de vinte minutos.

Os pontos altos da noite foram ‘The Jack’ e o strip-tease de Angus. ‘Hells Bells’ e o tradicional sino, embalado por Brian Johnson. Isso sem contar ‘Back in Black’, ‘You Shook Me All Night Long’, ‘Rock n’ Roll Train’ (que abriu o show) e no bis, ‘Highway to Hell’ e ‘For Those About to Rock (We Salute You)’ com os canhões e os fogos de artíficio que mais lembravam um reveillón.

O pessoal que pensa que show de rock é lugar de marmanjo e mulher feia, estão enganados.

Famílias inteiras, crianças e muita mulher bonita. Era o que se via no Morumbi. Além dos chifrinhos vermelhos, que iluminavam o Cícero Pompeu de Toledo.

Um grande show, como deveria ser. Não é por menos que eles esgotam ingressos por onde passam.

AC/DC é feito vinho ou whisky. Quanto mais velho, melhor. E eu tive o privilégio de conferir isso, in loco.

Fotos: http://www.showacdc.com.br (mas a última é do meu celular).