O humor, a polêmica e a babaquice

9 05 2011

 

Sempre gostei do humor politicamente incorreto – ou humor negro. Já fiz muita piada escrota onde alguns riram e outros me xingaram.

Não vejo problema em piadas assim. É preciso ter discernimento do que é brincadeira e do que é ofensa gratuita. Ainda mais no Brasil, onde não faltam motivos para fazermos piada.

Mas por incrível que pareça, há um limite entre a graça e a babaquice. Parece que o Rafinha Bastos não tem conhecimento desta linha tênue.

O conceito básico do humor é fazer graça. Mas nesta entrevista para a revista Rolling Stone, Rafinha mostra estar mais preocupado em polemizar. Aliás, esse é o mal da nova geração de humoristas: querer aparecer mais do que a própria piada.

Então, nessa sua vontade absurda em querer ser polêmico, Rafinha abriu um de seus shows, sob registro da revista Rolling Stone, assim:

 “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.”
 “Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade.”
 “Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço.”

Posso parecer incoerente com o que vou escrever aqui – porque eu gosto de muita piada escrota, com grau altissímo de humor negro – mas Rafinha vacilou. Foi babaca.

Estupro é algo tão grave, que não é aceito nem pelos bandidos, que comem o cu de estuprador nas cadeias.

Talvez ele não tenha pudor em tocar num assunto como esse, porque não conhece ninguém próximo que tenha passado por isso.

Eu também não conheço, mas imagino como deve ser para uma mulher conviver com um episódio triste como esse em sua vida. Por mais que algumas – ou grande parte – supere-o, inevitavelmente, ele será esquecido.

Mas, quando o limite da babaquice é ultrapassado e a vontade de se aparecer é maior do que  a vontade de fazer os outros rirem, o cérebro parece que é desligado.

Humor inteligente?





Criaram um monstro: o troll

26 10 2010

O Twitter trouxe suas vantagens, mas também tem seus efeitos colaterais, como toda boa rede social.

Um deles é a galera que se acha a mais engraçada. Os donos da verdade, quando o assunto é fazer graça.

E o repertório deles é vasto. Se o assunto sai nos G1s da vida, logo tem uma piadinha tirada da manga.

Bom, tem muita gente que acha tudo isso engraçado e são os que alimentam o ego desse povo. Tenho que reconhecer esse mérito. Mas é aí que mora o perigo.

Quando um desses caras (ou moças) ganham certa popularidade na “twittosfera”, eles passam a não aceitar mais as críticas de quem não gosta de suas piadas ou gracinhas.

Talvez desse sentimento tenha sido criado o adjetivo “troll”.

Os trolls são taxados como aqueles que incomodam e pertubam a vida alheia dos que se acham a última bolacha do pacote no mundo virtual.

Ou seja, é a última moda em apelidos dados às pessoas que falam mal sobre algo.

Cercear o direito de expressão dos que são denominados trolls é um tanto quanto antiquado, não?

Quando é feito algo, é impossível agradar todo mundo. Então qual o problema em ver alguém criticar?

Muita gente fala em “apertar o botão de foda-se”, mas fica toda melindrada quando lê, ouve ou vê algo que o critique.

O que era (pseudo) engraçado no início, acaba ficando chato, com esse pessoal reclamando da “trollagem” e distribuindo “blocks” a dar com o pau.

O conceito de humor é simplesmente fazer graça. Não é? Ou mudou para combater os críticos e “evangelizar” toda a sociedade com piadinhas sem graça retirada dos piores shows de stand-up comedy desse Brasil de meu Deus?





Oi, vim do futuro e tirei essa foto…

9 08 2010

Créditos ao Borges, do Universo Tricolor.





Político honesto ainda existe…

3 08 2010

Para quem não acreditava…





Tamo junto, Orkut!

31 07 2010

Com as novas ferramentas disponíveis na web, como o Twitter e o Facebook, o Orkut vem perdendo um espaço cativo entre os internautas brasileiros.

Muita gente já migrou para outras redes sociais e deletaram ou, simplesmente, abandonaram o Orkut.

Eu sigo resistindo bravamente a este êxodo e tenho meus motivos.

Gostaria de compartilhá-los, inclusive.

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1 – Contato com a maioria de seus amigos

Logo quando o Orkut surgiu, um dos seus atrativos era conseguir localizar amigos que estudaram com você anos atrás ou aquelas pessoas que fizeram parte de sua infância, antigos vizinhos, enfim, pessoas que o tempo fez com que você perdesse contato.

Grande parte dos usuários do Orkut nem sempre são antenados com as novidades da internet. Mal sabem o que é o Twitter e nunca ouviram falar no Facebook.

E entre os meus contatos por lá, a grande maioria só tem perfil no Orkut. Nem sei quais são seus respectivos e-mails ou telefones. Então o Orkut seria a única via de contato pra deixar algum recado ou algo do gênero.

2 – Fóruns das comunidades

Os usuários do Orkut geralmente entram nas comunidades para afirmarem ainda mais seus gostos e preferências. Como se fossem ‘adesivos’ de coisas que traçam sua personalidade. Poucos são ativos nas comunidades que se encontram.

Uma pena, pois uma das ferramentas das comunidades são os fóruns, onde você pode interagir e discutir sobre os assuntos inerentes aquele espaço.

Das mais de duzentas comunidades que estou, frequento algumas e participo dos fóruns. Através deles, pude conhecer e manter contato com muita gente boa. Que infelizmente não estão no Twitter ou Facebook. São tão resistentes a migração, quanto eu.

3 – Downloads

Quem não baixou um álbum, uma música, uma série ou um filme por alguma destas comunidades no Orkut que disponibilizam um vasto acervo daquilo que você procura?

Inclusive o Google, a pedido dos órgãos de proteção autorial, fechou o cerco pra cima de alguma delas.

Mas sabe como é, né. A Internet, queiram ou não, é uma terra sem lei. E sempre há um jeitinho pra driblar as restrições. Seja esse jeitinho brasileiro ou não.

É raro você saber de gente que teve sua máquina infectada por vírus através destes downloads de arquivo através dessas comunidades.

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Bom, só são estes três motivos.

Para muitos, é muito pouco perto de outros “problemas” que as pessoas alegam, ao largar de mão do Orkut.

Para mim, são três causas essenciais pro meu movimento de resistência a esta “velha e antiquada” rede de relacionamentos.

Long live, Orkut!





Podcast “Dentro de Campo” – Mano Menezes na seleção e sua primeira convocação

28 07 2010

Olá ouvintes.

Agora o podcast tem nome: “Dentro de Campo”.

Pois é lá dentro que se resolve!

Podcast gravado entre 27 e 28 de julho de 2010, para analisar a escolha de Mano Menezes como técnico da seleção brasileira e sua primeira convocação.

Com Rafael Techima e Thiago Soares.

Gostou? Tem alguma sugestão?

Entre em contato conosco, deixando seu comentário.

Clique aqui para realizar o download do podcast.





Eleições 2.0 – Será?

19 07 2010

Embalados pelo sucesso da campanha 2.0 do Barack Obama, que teve a Internet como sua principal frente, os candidatos brasileiros estão utilizando as ferramentas disponíveis na grande rede como nunca.

Estão mesmo?

O que vemos, entre os presidenciáveis, é um José Serra que fala sobre amenidades e sua agenda, respondendo só o que lhe interessa.

Dilma também contando histórias sobre sua campanha e Marina Silva indo pelo mesmo caminho.

Tudo isso no Twitter. E apenas lá.

Acredito que com o início da campanha eleitoral na TV, alguns vídeos vão pipocar no YouTube (pelo menos, essa é a minha expectativa). Na campanha de Obama, ele também foi muito utilizado (exemplo: Obama Girl).

E no Facebook? E os blogs de campanha? E no Orkut, a rede social mais popular do país? E os podcasts?

Com todas essas ferramentas disponíveis, a prioridade ainda será a campanha no rádio e na TV.

Talvez por falta de conhecimento técnico adequado dos marqueteiros e/ou responsáveis pela campanha dos candidatos. Ou pelo medo de confrontar ideias e propostas com os eleitores, uma vez que o rádio e a televisão são “vias de mão única”.

Um grande espaço será desperdiçado e, mais uma vez, não teremos chance em conhecer os candidatos deste pleito.

Será que é isso é o que eles mais querem?