Pachecos, Galvões, Arnaldos e Casagrandes

9 06 2012

“Vá se foder, Messi! Tô com raiva de você!”

Vou tentar explicar quem são os “pachecos”. Talvez outras pessoas definam melhor do que eu.

“Pachecos” são aqueles que acham que tudo o que é feito no Brasil ou é daqui é melhor do que é feito lá fora. Que creem que o Brasil é uma terra abençoada por Deus e que ainda somos o país do futebol.

Nossa imprensa está terrivelmente habitada por esses seres. Incapazes de analisar o futebol como um todo, praticado tanto aqui como no exterior. Mais incapazes de analisarem com bom senso, que falta nessa ânsia toda em exaltar o que temos de bom por aqui, fechando os olhos para o que acontece no resto do mundo.

Que é bom ser patriota? Como é. Mas eu torço para um país melhor. Não sou obrigado a torcer pra seleção que defende o mesmo. E principalmente, não sou obrigado a compactuar com uma confederação que manda e desmanda, do jeito que quer, no futebol brasileiro, dando poder a quem lhe interessa e minando o resto do futebol. Ser patriota é ir além de torcer pra seleção do seu país. Ser patriota não é ser obrigado a torcer pela seleção de seu país.

Na transmissão de hoje, pela Rede Globo, do amistoso Brasil x Argentina, vimos um show de pachecagem.

Logo aos 5 minutos do 1º tempo, um diálogo que podemos chamar de profético entre Galvão Bueno, rei dos pachecos e Arnaldo Cézar Coelho.

Arnaldo: “Eu acho que vc não falou o nome do Messi ainda.”
Galvão: “Falei na hora que ele tirou o par ou ímpar.”

Na partida contra os Estados Unidos, Galvão disse que a seleção do país havia evoluído e que endureceria o jogo para o Brasil. Opinião de conveniência. Galvão procurou argumentos para valorizar a vitória – o que acabou acontecendo – ou amenizar uma possível derrota.

Trollado constantemente pela transmissão gerada pelos americanos, no jogo de hoje, Galvão disparou: “Esses americanos não entendem nada de bola.”

Em uma semana, eles passaram de evoluídos a pernas de pau. Curioso. E bem incoerente.

No segundo tempo, após diversas besteiras ditas e os três gols do Messi, que vão fazer o Galvão ter pesadelos, ocorreu um entrevero entre Lavezzi e Marcelo. O argentino empurrou o lateral brasileiro, que lhe devolveu com um soco, que não pegou em cheio, na cara. Lavezzi expulso.

Galvão, Casagrande e Arnaldo nem esperaram pelo replay de todo o lance. Já acusaram o Lavezzi de baderneiro e o desescalaram da seleção argentina. Quando Marcelo também foi expulso, acusaram o árbitro de injustiça.

Microfone abertos na Globo e Marcelo disse que realmente tinha perdido a cabeça e que sua expulsão foi justa. Reconheceu seu erro, provado depois pelos replays tardios.

Inconformados pela honestidade do lateral, Galvão e Arnaldo disseram estar preocupados com essa sinceridade do Marcelo. Na visão pacheca da equipe global, ser sincero é preocupante. De doer.

Não sou eu que vou mudar esse comportamento pacheco de nossa imprensa. Esse foi só um exemplo. Talvez nem uma eliminação brasileira na Copa de 2014. Mas tá cada vez mais ridículo assistir futebol na TV. E quem não tem discernimento e capacidade crítica vai na onda destes pachecos.

Talvez seja essa a intenção quando monopolizaram as transmissões de jogos e torneios.





Wagner Moura: só mais um fã. Apenas isso.

2 06 2012

Foto: Caio Kenji/G1

Se a pretensão do cara fosse reencarnar Renato Russo no palco, eu criticaria ferozmente. Mas não foi. Vi no Wagner Moura um representante da imensa nação de fãs que a Legião tem. Uma espécie de Videokê de luxo. E digo isso sem desmerecer a apresentação.

Ele cantou mal, desafinou, mas a gente já sabia que ele não era um tenor. O problema é que a gente espera algo mais quando trata-se de Wagner Moura. E a galera tava esperando que ele entrasse ali, de cabelo despenteado, barba e bigode, bata e cantando como o Renato, atuando de fato.

Wagner Moura foi ele mesmo. Despiu-se de sua capa de ator consagrado e era um fã. Famoso, claro, mas fã. Como muitos ali na pista do Espaço das Américas e outros tantos assistindo pela tevê.

“Ah, mas como a Legião pode ter aceito um negócio destes.” Primeiro, o cachê deve ter sido muito bom. Você negaria? Eu não. E outra, qual a chance do Dado reunir-se com Bonfá e tocar os sons que tocaram outrora, ao vivo, juntos? Essa era a chance. Os fãs mereciam algo assim, porque o Renato se foi e nunca um tributo com essas proporções foi realizado.

As redes sociais são armas pesadas nas mãos dos insatisfeitos, que tem todo o direito de ficarem assim e se expressarem. Mas o tributo, o que o Wagner Moura fez ali no palco, o Dado, o Bonfá, o público… Foram de uma sinceridade absurda. Celebraram! E é o que se espera de qualquer tributo.

Na minha humilde opinião, que não vale nada eu sei, é que este foi mais um belo capítulo na história de uma das maiores bandas brasileiras. Wagner Moura? Bom, ele foi um baita privilegiado, apenas isso.





O humor, a polêmica e a babaquice

9 05 2011

 

Sempre gostei do humor politicamente incorreto – ou humor negro. Já fiz muita piada escrota onde alguns riram e outros me xingaram.

Não vejo problema em piadas assim. É preciso ter discernimento do que é brincadeira e do que é ofensa gratuita. Ainda mais no Brasil, onde não faltam motivos para fazermos piada.

Mas por incrível que pareça, há um limite entre a graça e a babaquice. Parece que o Rafinha Bastos não tem conhecimento desta linha tênue.

O conceito básico do humor é fazer graça. Mas nesta entrevista para a revista Rolling Stone, Rafinha mostra estar mais preocupado em polemizar. Aliás, esse é o mal da nova geração de humoristas: querer aparecer mais do que a própria piada.

Então, nessa sua vontade absurda em querer ser polêmico, Rafinha abriu um de seus shows, sob registro da revista Rolling Stone, assim:

 “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.”
 “Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade.”
 “Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço.”

Posso parecer incoerente com o que vou escrever aqui – porque eu gosto de muita piada escrota, com grau altissímo de humor negro – mas Rafinha vacilou. Foi babaca.

Estupro é algo tão grave, que não é aceito nem pelos bandidos, que comem o cu de estuprador nas cadeias.

Talvez ele não tenha pudor em tocar num assunto como esse, porque não conhece ninguém próximo que tenha passado por isso.

Eu também não conheço, mas imagino como deve ser para uma mulher conviver com um episódio triste como esse em sua vida. Por mais que algumas – ou grande parte – supere-o, inevitavelmente, ele será esquecido.

Mas, quando o limite da babaquice é ultrapassado e a vontade de se aparecer é maior do que  a vontade de fazer os outros rirem, o cérebro parece que é desligado.

Humor inteligente?





O ‘fascismo do bem’ – por Ricardo Noblat

17 04 2011

O assunto ficou até antigo, ultrapassado, devido a velocidade da transmissão das informações nos dias de hoje. Mas vale a pena ler o texto a seguir, retirado do Blog do Noblat, e refletir.

Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: “Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados…” E ri.

A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores “do bem”, da patrulha dos “progressistas”, da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível… Mas era Lula!

Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.

Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.

Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.

A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso – e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.

Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele me torno igual a ele – eu, um intolerante “do bem”; ele, um intolerante “do mal”. Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário dele, mas também quero ser o contrário dele.

O mais curioso é que muitos dos líderes do “Cassa e cala Bolsonaro”; se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?

Quando Lula apontou os “louros de olhos azuis” como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.

Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.

Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.

E tudo em nome da liberdade e da democracia…

Ricardo Noblat





BBB – Diversão é alienação?

11 01 2011

E mais uma edição do BBB está no ar. A décima primeira em nove anos em que o programa é transmitido. A segunda com o Twitter em alta e sendo utilizado como principal ferramenta para os mais variados comentários sobre o reality show, favoráveis ou contrários.

A questão do gosto é bem pessoal. Fica até meio óbvio dizer isso, redundante. O BBB, assim como qualquer outra coisa nesse mundo, desperta amor, ódio e desprezo. E todo ano é aquela ladainha: o Big Brother é produto para alienar e emburrecer a população.

Hoje, qualquer produto que sirva para entretenimento no Brasil é taxado como algo que aliena. Principalmente na televisão. Sei lá, a gente passa o dia inteiro levando (ou tendo que levar) a vida muito a sério. E quando chegamos em casa, tudo o que a gente quer é distrair um pouco. Ou tô errado?

Quem não gosta do BBB, procura qualquer outra coisa na TV, ou vai ler um livro ou ouvir um som. Quem gosta, quer assistir o episódio do dia (e para quem tem verba, corre para conferir o pay-per-view). Isso se chama diversidade.

Cada um tem o direito de se divertir a sua maneira. Se divertir é relaxar e arejar a mente. Arejar a mente é emburrecimento? Diversão é alienação? Quem respondeu “sim” as duas perguntas deve levar muito a sério programas como o BBB. Arrisco dizer que bem mais do que aqueles que gostam e acompanham.

Assistir BBB não deixa ninguém mais burro e ignorante. É apenas mais um programa da televisão brasileira, que se consolidou com o passar dos anos. A qualidade pode até ser questionada, mas, para mim, são exageradas certas críticas feitas ao programa e ao público dele.

Nada mais é que uma questão de mudar de canal ou de respeitar a opinião e os gostos alheios.

Não é o BBB que mede o nível de cultura do povo brasileiro. Até porquê não é obrigação do programa educar (e sim da emissora, que deve abrir espaço para esse tipo de programação em sua grade). Assiste quem quer e quem gosta. Como qualquer outro programa na televisão, onde o intuito é apenas entreter.

“Tudo isso não passa de pão & circo!”. Só porque você quer, meu caro. Controle remoto, cidadania e urna eletrônica estão aí pra isso.





Alborghetti e Inri Cristo

2 01 2011

O vídeo a seguir foi postado pelo usuário leoconde, em junho de 2010, e provavelmente, deve ser do início dos anos 90, no programa ‘Cadeia’, da extinta Rede OM. O mesmo foi publicado em um dos tópicos do fórum da excelente comunidade Anti-Video Show!, no Orkut.

O mestre Luiz Carlos Alborghetti diz tudo (e mais um pouco) o que acha sobre Inri Cristo, que outrora, era conhecido como Iuri de Nostradamus (não sabia dessa).

Sensacional!





Silvio Santos: 80 anos

13 12 2010

 

Ontem, 12 de dezembro, Silvio Santos completou 80 anos de idade. Não parece. O “patrão” é como o Léo Batista e o Tony Tornado: o tempo passa e eles não mudam.

A influência que o Silvio tem na minha vida é gigantesca. Hoje em dia, nem tanto, mas quando criança, a TV ficava ligada no SBT o domingo inteirinho. A falta de opção na programação das emissoras aliada a competência e diversão do ‘Programa Silvio Santos’ foram motivos suficientes para nós não assistirmos outra coisa.

Programas como ‘Topa Tudo por Dinheiro’, ‘Show de Calouros’ e ‘Porta da Esperança’ eram os preferidos lá em casa e nós só mudavamos de canal pra ver o futebol e ‘Os Trapalhões’, na Globo.

O tempo que o Silvio fica hoje em dia na programação é bem menor comparado aquela época. E foi por esse motivo que eu passei a sentir falta dele, ao assistir televisão. Aos domingos, ligo a TV e se não for pra ver algum programa esportivo, não vejo mais nada.

Silvio Santos é um gênio da comunicação. Teve todas suas conquistas pautadas no dom da palavra e de comunicar-se com o público. Seja vendendo canetas no centro do Rio ou jogando aviõezinhos para suas colegas de trabalho.

Uma pena esse episódio no Banco Panamericano, que pode custar-lhe a perda de todo seu patrimônio. Mas Silvio, como um bom empresário que é, saberá (espero), lidar com toda essa situação.

Não considero que ele seja um santo, uma pessoa acima de qualquer suspeita. Minha admiração vem da sua competência como apresentador e comunicador, que é inegável. E só isso já faz dele um sujeito querido por milhões de brasileiros.

Fica aqui minha singela homenagem. Vida longa, mestre.