O humor, a polêmica e a babaquice

9 05 2011

 

Sempre gostei do humor politicamente incorreto – ou humor negro. Já fiz muita piada escrota onde alguns riram e outros me xingaram.

Não vejo problema em piadas assim. É preciso ter discernimento do que é brincadeira e do que é ofensa gratuita. Ainda mais no Brasil, onde não faltam motivos para fazermos piada.

Mas por incrível que pareça, há um limite entre a graça e a babaquice. Parece que o Rafinha Bastos não tem conhecimento desta linha tênue.

O conceito básico do humor é fazer graça. Mas nesta entrevista para a revista Rolling Stone, Rafinha mostra estar mais preocupado em polemizar. Aliás, esse é o mal da nova geração de humoristas: querer aparecer mais do que a própria piada.

Então, nessa sua vontade absurda em querer ser polêmico, Rafinha abriu um de seus shows, sob registro da revista Rolling Stone, assim:

 “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho.”
 “Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade.”
 “Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço.”

Posso parecer incoerente com o que vou escrever aqui – porque eu gosto de muita piada escrota, com grau altissímo de humor negro – mas Rafinha vacilou. Foi babaca.

Estupro é algo tão grave, que não é aceito nem pelos bandidos, que comem o cu de estuprador nas cadeias.

Talvez ele não tenha pudor em tocar num assunto como esse, porque não conhece ninguém próximo que tenha passado por isso.

Eu também não conheço, mas imagino como deve ser para uma mulher conviver com um episódio triste como esse em sua vida. Por mais que algumas – ou grande parte – supere-o, inevitavelmente, ele será esquecido.

Mas, quando o limite da babaquice é ultrapassado e a vontade de se aparecer é maior do que  a vontade de fazer os outros rirem, o cérebro parece que é desligado.

Humor inteligente?





O ‘fascismo do bem’ – por Ricardo Noblat

17 04 2011

O assunto ficou até antigo, ultrapassado, devido a velocidade da transmissão das informações nos dias de hoje. Mas vale a pena ler o texto a seguir, retirado do Blog do Noblat, e refletir.

Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: “Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados…” E ri.

A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores “do bem”, da patrulha dos “progressistas”, da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível… Mas era Lula!

Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.

Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.

Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.

A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso – e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.

Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele me torno igual a ele – eu, um intolerante “do bem”; ele, um intolerante “do mal”. Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário dele, mas também quero ser o contrário dele.

O mais curioso é que muitos dos líderes do “Cassa e cala Bolsonaro”; se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?

Quando Lula apontou os “louros de olhos azuis” como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.

Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.

Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.

E tudo em nome da liberdade e da democracia…

Ricardo Noblat





É marmelada ou não é? Hein Sr. CQC?

22 09 2009

A intenção era comentar o CQC, de número 71, de hoje, que teve como atrações a luta de Theo Becker (ele mesmo!) com um campeão de MMA, entrevista com Lily Allen, matérias no Congresso Nacional, evento na Daslu, entre outros.

Mas a principal atração eram as semi-finais do concurso ‘8º CQC’, que já estava em xeque, devido ao fato de Rogério Morgado ser conhecido de alguns dos homens de preto.

Ele enfrentou Carol Zoccoli (que já trabalhou com alguns dos CQCs) e os dois gravaram no Prêmio Brasil Jovem 2009.

A pequenina humorista saiu bem melhor do que o comediante ‘fortinho’ e pra surpresa de muitos, ela foi a escolhida.

Todas as suspeitas de cartas marcadas, levantadas há semanas, caíram por terra.

Inclusive, Danilo Gentili, em seu Twitter, distribuiu ofensas e desabafou contra quem desconfiasse de armação e pra quem quisesse ouvir (no caso, ler).

No bloco seguinte, a outra semi-final, com Paulão e Monica Iozzi.

A matéria era a cobertura da Virada Esportiva, que rolou no último final de semana, aqui em São Paulo.

Foi notável que, mais uma vez, o desempenho de Monica não era páreo para o adversário.

Na segunda-feira passada, Ana Paula Davim foi bem melhor, em uma matéria gravada na Festa de Peão de Barretos.

Hoje, o desempenho de Paulão era bem superior. Mas a escolhida foi Monica.

Até aí, nenhum problema, pois a produção utiliza dos critérios que bem entender, desde que ele sejam claros e sejam utilizados com transparência.

Mas o fato mais intrigante foi o vazamento do resultado no site, antes do anúncio oficial do ‘Sr. CQC’ no palco, ao vivo.

Note que o relógio do PC, marcava 23h39, na hora em que o print foi dado.

Atentem ao horário do print screen. Muitos minutos antes do anúncio oficial. É para desconfiar, não é mesmo?

Atentem ao horário do print screen. Muitos minutos antes do anúncio oficial. É para desconfiar, não é mesmo?

ATUALIZADO: Clique aqui e veja o print screen em tamanho original.

O resultado no palco, foi revelado por volta de 23h59.

Isso colocou novamente em cheque a credibilidade do concurso.

E não é só isso! Diego Barredo, diretor de conteúdo do programa, segue Monica Iozzi no Twitter. Só. Nenhum dos outros candidatos constam em sua lista.

Outro fato curioso: Paulão conta em seu blog que foi dispensado das gravações de domingo. Segue trecho:

“Beijos, carinho. Bode. Uma hora deitado e a esperança que a dor diminua. Meu trabalho hoje foi tão bom que me dispensaram de gravar amanhã. Quer dizer que o estágio dois se foi. O próximo desafio é, depois de esticar as espinhela na cama e tomar banho, pegar o vôo, andar 300 km e fazer o show em Dourados.”

Dispensaram Paulão, mas dispensaram a Monica também?

Enfim, surgem novas suspeitas.

Em 20 minutos, se livraram de uma e arranjaram outras.

Se fossem mais transparentes com as regras e critérios, não teriam dor de cabeça e não seriam questionados.

Mas com um cenário que me lembra Brasília, esperamos uma explicação da Cuatro Cabezas, do Sr. Diego Barredo, do Sr. Marcelo Tas e de quem mais puder falar por eles.

O público não engoliu essa eliminação do Paulão, que foi CLARAMENTE melhor do que a Monica. Sabrina Sato é melhor do que a Monica.

Não sei se o público, em sua totalidade, vai continuar cobrando essas explicações, porque este é um país de acomodados.

Mas nós do Trocando Passes continuaremos cobrando, até que as respostas apareçam (e nos convençam).

Para quem critica a política, eles ainda tem muito o que aprender.

E desde já, não contem mais com a minha audiência, CQC. O telespectador não é palhaço. Mas o nariz serve como carapuça para muitos deles.

Não para nós.





Fácil para contar, díficil de reclamar – Relatos de uma entrevista

18 09 2009

Apreensivo, tenso, nervoso. Assim estava Paulão, vocalista das Velhas Virgens. Ele participa do concurso para o oitavo CQC e o que irá servir como avaliação para a próxima eliminatória? Matérias, é claro.

Entre marcações e remarcações, ele consegue acertar seus horários e toda o esquema a ser realizado, pois as gravações serão aqui em São Paulo no sábado e talvez domingo, mas as VV tem dois shows marcados no Mato Grosso do Sul. Sexta, em Campo Grande. Sábado em Dourados.

Podemos concluir que ele tem apenas duas certezas. A do cansaço e do acúmulo de pontos no programa de milhagem de vôos.

É neste ambiente todo que marcamos e confirmamos nossa ida a sua residência, no Tremembé, zona norte da cidade, com a grande possibilidade da mesma ser cancelada em cima da hora, pelo motivo já exposto.

Chegamos num comboio, em três carros.

Um batalhão foi entrevistar o cara? Não.

Em um carro estavam Carol e seu namorado. No outro, Jefferson. E no terceiro, eu e o Rodolfo.

Estacionamos e adentramos ao condomínio. Paulão, com visual renovado, nos recebe, atencioso como sempre.

Verificamos possíveis locais, dentro da casa, para gravarmos. Achamos. Montamos, na hora, toda uma ‘cenografia’. Luz não era problema.

Por acabar de chegar do trabalho e por toda essa história do CQC, Paulão está sóbrio e não tem mais cervejas para nos oferecer. Ele lamenta, se explica. Nós entendemos e nos foi prometido um churrasco, que será devidamente cobrado.

E desta forma iniciamos os trabalhos. Paulão sóbrio não é um cara diferente do que vemos nos shows. Inclusive, com a entrevista rolando, ele vai dando umas goladas num vinho do Porto e vai soltando o verbo.

A entrevista segue. Tudo certo com a imagem, som, fitas e bateria.

Paulão, bem humorado, apesar da tensão que o cerca, até canta uma música do Reginaldo Rossi, que está devidamente registrada.

Aquilo começa a tornar-se um descontraído bate papo, mas com todo cuidado pro som de nossas risadas não vazarem. Como a Carol diz, “sem respirar, gente”.

Enfim, após duas horas, terminamos a entrevista e segue uma conversa sobre a banda, nosso doc/TCC e otras cositas mas.

Rodolfo, mesmo com o fim das gravações, segue perguntando. Paulão retruca que ele tá futricando demais.

Futriqueiros, Paulão? Não, jornalistas.

E ele responde a tudo, sem pestanejar.

Ah, se tudo fosse tão fácil quanto foi a realização desta bela entrevista.

Difícil será a vida do Paulão neste final de semana.

Coisas da vida de um músico independente que está se virando com seus projetos pessoais.

Difícil fica reclamar de alguma coisa, mesmo que tenha faltado a bendita ‘breja’, para molhar nossas palavras.





Campanha ‘Paulão no CQC’

4 09 2009

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Para quem ainda não sabe, Paulão, vocalista da maior banda independente do Brasil, o Velhas Virgens, está entre os oito finalistas para ser o 8º elemento do CQC, da Band (esses vocês conhecem, né?).

Ele tá com uma vontade imensa de ser um dos homens de preto e conta, com certeza, com a nossa torcida.

O Trocando Passes, juntamente com outros blogs, está participando da campanha ‘Paulão no CQC’, uma iniciativa dos blogs Papo de Bar e Só Na Boa.

Alguns dos blogs participantes são: Diario da Net, Faz me rir, Entrevero na Web, Balão de Fala, Papo de Bar, SMN, PegaAki, Boom Dow 666, Eskisofrenia, Corto Cabelo e Pinto, Por Que Parar, Tem Di Tudo Um Poko, WEBERSON SANTIAGO, Amantes da Kátia, Buraco do Dollee, Mamute Doido, Blog da Tequila, Dois Poetas na Escola, Questão de Ordem, Suspensa, Sharp Tongues, E Agora, Guto?, É isso mermo, Deh Tudo xXx, Lokos de Uruguaiana, JuMeNTriXx, Fotologando, Clube da Zueira, Coelhinha Blog, Papo de Buteco, Six Pack Inside, Tecnologia Etílica e Senpuu.

Junte-se a nós e torça fervorosamente pelo mestre rouco e louco.

Aqui no Trocando Passes, a torcida é declarada, porque precisamos ver um bêbado nessa trupe.

Assista o CQC, na próxima segunda-feira, a partir das 22h30. A disputa será ao vivo.

E torça com a gente.