Desperdiçando a chance de bons debates

14 05 2012

Disse que o blog voltaria, lá em fevereiro. E desde então não saiu nenhum post. Assunto não faltou, mas tenho dedicado mais tempo ao meu outro blog (Um São Paulino), no pouco tempo que eu tenho, que este ficou mais de lado mesmo.

Mas, pra limpar a poeira deste querido (pelo menos pra mim) espaço, vamos falar sobre a prisão do Emicida. Serei breve.

O rapper foi preso durante um show em Belo Horizonte, em 13/05/2012, por cantar no palco a música “Dedo na Ferida”. Devido ao conteúdo da música, ele foi detido por descato a autoridade.

Nas redes sociais, as primeiras manifestações foram de revolta. Logo, vieram as piadas e os “dedos na cara”, dizendo que ele luta contra o sistema, mas faz comercial para banco, é vendido e é “MC de playground”.

Não cabe aqui julgarmos o suposto comportamento contraditório do Emicida. Ele pode ser tudo isso ou até pior. O que não poderia é ele ter sido detido pelo simples fato de expressar-se através da música.

Casos como esse costumam a levantar boas discussões sobre liberdade de expressão, censura, democracia, livre informação. Mas a maioria prefere fazer piada. Preferem dizer que o som do cara é ruim, que o cara é “traidor do movimento”, que é rapper pra playboy ouvir.

Na pobreza de argumentos ou de discussões, não há questionamentos. Sem eles, nossa liberdade vai aos poucos indo pro ralo.

Parece um texto de um ativista de sofá. Mas eu não sei o que é pior: ser ativista de sofá ou fazer piadas deles – ou de qualquer outro assunto onde cabem discussões – e ver as coisas (não) acontecerem.

Ontem foi o Emicida. Amanhã pode ser a rede social que esse povo piadista gosta tanto de utilizar, pra desenvolver seu ócio criativo.